IA aplicada

Inteligência artificial dentro do processo — pesquisa, roteiro, decupagem, versionamento, QA. Ferramenta, não posicionamento.

  • O pipeline de quatro fases acabou

    Desde os anos 1990 a indústria organiza produção audiovisual em quatro etapas: desenvolvimento, pré-produção, produção e pós-produção. Linear, sequencial, cada uma entregando para a seguinte.

    Esse desenho está se desfazendo, e não por moda.

    A geração algorítmica de conteúdo colapsa fases que antes eram obrigatoriamente sucessivas. Você pode ver imagem final na etapa de desenvolvimento. Pode testar montagem antes de existir material captado. Pode ajustar roteiro olhando para uma versão provisória do filme inteiro.

    Quando a ordem deixa de ser obrigatória, o que muda não é só o cronograma. Muda quem decide o quê, e quando.

    No pipeline linear, cada fase tinha um dono claro. O roteirista entregava e saía. O diretor assumia. A pós recebia o que veio do set e resolvia dentro do que tinha. Havia fricção nessas passagens, mas havia também clareza de responsabilidade.

    Em fluxo não-linear, a fronteira some. E some junto o consenso sobre de quem é a decisão — o que aparece primeiro como problema de contrato, não como problema criativo.

    Estou estudando isso comparando produtoras de Portugal e do Brasil. Dois mercados de escala independente parecida, com tradição autoral forte, o que torna a tensão mais visível do que seria numa estrutura industrial grande.

    As etapas clássicas de uma produção audiovisual.

    Plano de investigação Pipeline 4: IA generativa e reconfiguração das fases de produção audiovisual — estudo comparativo entre produtoras portuguesas e brasileiras.

  • esse é um teste de IA com câmera controlada por uma inteligência, uma segunda inteligência…

    esse é um teste de IA com câmera controlada por uma inteligência, uma segunda inteligência fazendo iluminação e uma terceira colocando a voz maravilhosa fa @ludmilla para explicar meu projeto de mestrado. Ver menos

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  • Se você ainda acha que IA é só filtro, dancinha e texto pronto, esse vídeo aqui é pra você.

    Se você ainda acha que IA é só filtro, dancinha e texto pronto, esse vídeo aqui é pra você.
    A inteligência artificial tá mudando a lógica básica de como a gente trabalha, aprende, ganha dinheiro e cria coisa nova.
    Não é modinha de tech: é mudança de regra.
    Eu sou o Marcello, cineasta e roteirista, moro em São Paulo, e nesse perfil eu vou te mostrar, na prática, como usar IA e storytelling pra:
    • trabalhar de um jeito mais inteligente (não mais cansado),
    • destravar criatividade,
    • e criar novas lógicas de vida no meio do caos da cidade grande.
    Se você é adulto cansado, mas não quer ficar pra trás nessa virada de jogo,
    me segue
    manda esse vídeo pra alguém que precisa ouvir isso hoje
    e comenta “LÓGICA” se quiser a parte 2.
    #inteligenciaartificial #IA #vilabuarque #saopaulo #adultocansado novaslogicas Ver menos

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  • Habilidade tradicional continua sendo o piso

    Uma das conclusões da pesquisa é chata e pouco vendável: dominar IA não substitui dominar o ofício. Soma.

    O profissional que se destaca hoje é o que tem as habilidades tradicionais da área e sabe onde a ferramenta encaixa. Não é o que trocou uma coisa pela outra.

    Isso contraria dois discursos ao mesmo tempo, o que costuma ser sinal de que está certo.

    Contraria quem diz que agora não precisa mais aprender fundamento, porque a máquina faz. Não faz. A máquina entrega variação; a escolha entre variações depende de repertório, e repertório só se constrói olhando muita coisa por muito tempo.

    E contraria quem diz que a ferramenta é irrelevante e que só o talento importa. Também não. Quem entrega em um terço do tempo com a mesma qualidade ganha o projeto, e isso não é injustiça — é como o mercado sempre funcionou com toda tecnologia nova.

    A posição defensável é a do meio, e ela dá mais trabalho: continuar aprofundando o ofício enquanto testa a ferramenta.

    Quem só aprofunda vira artesão caro e lento. Quem só testa vira operador rápido e substituível. A conta fecha para quem faz os dois.

    Andrea Iorio, sobre inteligência artificial aplicada ao trabalho.

    Recorte do Estado da Arte (ESPM, 2023).

  • O LinkedIn como campo de pesquisa

    Quando eu comecei a pesquisa, quase não havia literatura acadêmica sobre uso de IA generativa em criação publicitária. O fenômeno era novo demais para ter passado por revisão por pares.

    Mas havia debate. Muito debate. Em fóruns profissionais, sobretudo no LinkedIn.

    Isso cria um problema metodológico honesto: post de LinkedIn não é dado científico. Tem viés de autopromoção, tem gente performando domínio de ferramenta, tem quem exagera resultado para conseguir cliente.

    E cria também uma oportunidade. Porque é ali que os profissionais estão equacionando empiricamente, em tempo real, como estão integrando a tecnologia. É registro de prática, não de teoria.

    A saída foi tratar esse material pelo que ele é: corpus de discurso profissional, com todos os vieses declarados. Não serve para provar que a IA funciona. Serve para mapear como a categoria está falando sobre o próprio trabalho — o que já é um dado.

    Vale um alerta para quem lê pesquisa e para quem escreve: quando o campo é novo, a alternativa a fonte imperfeita não é fonte perfeita. É nenhuma fonte.

    Melhor uma leitura cuidadosa de material enviesado, com o viés nomeado, do que esperar cinco anos pela literatura que ainda não existe.

    Debate sobre inteligência artificial na publicidade.

    Recorte do Estado da Arte (ESPM, 2023) sobre adaptação de profissionais de criação à IA.

  • Como o fazedor se adapta

    A pergunta que eu levei para o mestrado em 2023 foi essa: como os fazedores da criação publicitária estão se adaptando à introdução da IA nas práticas de trabalho deles?

    Note o recorte. Não é se a IA é boa. Não é se ela substitui. É como quem faz está se adaptando — no gerúndio, enquanto acontece.

    Escolhi assim porque a outra pergunta já tinha resposta pronta demais dos dois lados. E porque prática de trabalho é onde a transformação aparece antes de virar discurso.

    O termo maker, fazedor, também não foi por acaso. Ele desloca o foco do cargo para o gesto. Numa agência, quem faz nem sempre é quem assina — e é quem faz que descobre primeiro o que a ferramenta muda.

    O que apareceu na pesquisa foi menos dramático e mais interessante do que o debate público sugere: a mudança não estava no talento nem na criatividade. Estava na dinâmica colaborativa. Quem pede o quê, para quem, em que ordem.

    Co-criação sempre foi uma negociação entre pessoas. Quando entra um agente que responde em segundos e não se cansa, a negociação muda de forma — não porque a máquina cria, mas porque ela reorganiza quem espera por quem.

    Inteligência artificial na publicidade e propaganda.

    SAMPAIO, Marcello. Inteligência Artificial e os Impactos na Forma de Co-Criar. Projeto de Estado da Arte, Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo, ESPM, 2023.

  • Acordei ciborgue. Não daqueles com braço de titânio e olho vermelho — o meu upgrade veio…

    Acordei ciborgue. Não daqueles com braço de titânio e olho vermelho — o meu upgrade veio…

    O dia corre como se eu ainda fosse um estagiário hiperativo e um produtor metódico dentro do meu navegador. Quando uma marca pede um filme de 30” com recortes para Reels, Shorts e LinkedIn, eu defino a rota criativa e a cadência das cenas; o meu lado máquina gera variações de abertura, simula ritmo de montagem, adapta formatos 16:9 e 9:16, cria call sheet e adianta checklists de PDCA — sim, aquele mesmo PDCA que salva prazo. Se o cronograma ameaça derrapar, ele me avisa com antecedência indecente; se a pauta pede case, ele me traz exemplos atuais e plausíveis; se a live precisa de run of show, ele monta cenários A, B e C e já me alerta onde a tensão costuma estourar. Eu ensino, corrijo, reescrevo e sigo — professor no gesto, diretor no corte, resolvedor das coisas por esporte.

    Na pós, a simbiose ganha graça. Enquanto eu lapido o último corte, do vale_este, vale_este_mesmo, vale_este_mesmo_agora_eh_serio, meu copiloto caça loudness fora da curva, confere conform de legenda, compara V2 com V3 e me oferece um relatório que parece ter saído de uma ilha muito bem paga. Na distribuição, ele agenda, responde dúvidas repetidas com tato e eu monitoro watch time e sussurro que a thumb com olhar direto venceu a com lettering pesado. Eu aceito as sugestões da minha firma quando fazem sentido, recuso quando ferem o tom da marca, ajusto quando a cultura pede nuance. Hayles diria que a cognição virou um circuito híbrido; Latour lembraria que agência sempre foi rede; eu só chamo isso de trabalho bem dirigido.

    E, sim, continuo “mão na massa”: faço kick-offs enxutos, follow-ups que não cansam, ensino o que sei e aprendo o que muda. A diferença é que agora eu opero como um maestro de meios — humano no juízo estético, máquina na maratona invisível. Ser simbiótico não é virar software; é somar alcance sem terceirizar autoria. Quando dá certo, foi a rede. Quando dá errado, a direção é minha. E segue o baile.

  • São Paulo, 2022 a 2024

    Toda pesquisa honesta declara o que não é. A minha diz, logo no recorte: este estudo é sobre processo de trabalho e competências. Não é sobre ética nem sobre regulamentação da inteligência artificial.

    Também declara onde e quando: publicidade audiovisual brasileira, foco em São Paulo, período de 2022 a 2024.

    Isso parece burocracia acadêmica e é o contrário. É a parte que impede a pesquisa de virar opinião com bibliografia.

    Recorte geográfico importa porque São Paulo concentra a maior parte das agências e produtoras do país, com uma dinâmica que não é a do resto do Brasil. Recorte temporal importa porque 2022 a 2024 é exatamente a janela em que essas ferramentas saíram do experimento e entraram na rotina.

    Quem lê pesquisa sem olhar o recorte transforma achado local em lei universal. Quem escreve pesquisa sem declarar o recorte permite que isso aconteça.

    No mercado é igual. Quando alguém diz “o mercado está fazendo assim”, vale perguntar qual mercado, onde, em que ano e com que porte de operação. Metade dos conselhos que circulam no LinkedIn são verdadeiros dentro de um recorte que ninguém enunciou.

    Declarar limite não enfraquece o argumento. É o que o torna verificável.

    As diferenças entre designer, diretor de arte e diretor de criação.

    Recorte metodológico da dissertação: publicidade audiovisual brasileira, foco geográfico em São Paulo, período de 2022 a 2024.

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