Narrativa

Storymaker, storytelling, branded content e a construção de linguagem de marca.

  • Sopra – Criação e Direção: Marcello Sampaio

    Sopra – Criação e Direção: Marcello Sampaio

    Sopra – Criação e Direção: Marcello Sampaio

    Uma mistura incrível das fotos do Ricardo Schmidt, a produção sensível de Pilar Salinas, as camadas de tinta do Clébio Holanda, as lentes de Thiago Augusto, todo o coração do Produtor Executivo Claudio Mazza e principalmente os figurinos desenhados, pensados, feitos da maneira mais cuidadosa possível pelo meu pai, Marcelo Sampaio.

    saudades dos nossos filmes. Ver menos

  • O que a criança de doze anos vê primeiro

    Na prática com os estudantes, o exercício era simples: olhar um cartaz e dizer o que ele promete.

    Eles acertavam quase sempre. Sem vocabulário técnico, sem saber o que é hierarquia visual, sem nunca ter ouvido a palavra composição.

    Isso não é mérito das crianças. É a natureza da coisa. Cartaz funciona no nível pré-verbal — ele comunica antes de ser analisado, e quem analisa demais está fora do público-alvo.

    O problema aparece na segunda pergunta: por quê? Aí eles precisavam voltar e olhar. E ao voltar, começavam a nomear: essa pessoa está no centro, essa cor é fria, essa letra é pesada, esse rosto está cortado.

    Esse é o pulo. A leitura intuitiva vem de graça; a leitura consciente é o que permite fazer. Quem só tem a primeira consegue julgar o trabalho dos outros e não consegue produzir o próprio.

    Vale para o mercado inteiro. Tem muito profissional experiente que sente que a peça está errada e não consegue dizer por quê — e sem dizer por quê, a nota vira gosto pessoal e a discussão vira briga.

    Ensinar a nomear é ensinar a dirigir.

    https://www.youtube.com/watch?v=Np9KDnFi_sw
    Processo de criação de um pôster de filme.

    Prática Profissional em Artes Visuais (FAVENI, 2025), projeto de intervenção com estudantes do Ensino Fundamental II.

  • Três segundos e nenhum som

    Todo material de divulgação disputa atenção em condições piores do que quem o fez imagina.

    O cartaz de cinema é o caso extremo, e por isso é o melhor professor. Ele precisa funcionar de longe, em movimento, sem som, competindo com outros dez cartazes na mesma parede, para uma pessoa que não pediu para vê-lo.

    Se ele resolve isso, resolve qualquer coisa.

    A lição que sai daí vale para thumbnail, capa de carrossel, primeiro frame de vídeo e slide de abertura. São todos cartazes, com nomes diferentes.

    E o erro é sempre o mesmo: colocar informação demais porque tudo parece importante. Nome do filme, subtítulo, elenco, prêmios, data, selo do festival, logo dos patrocinadores. Cada item entra por um motivo legítimo, e o conjunto não comunica nada.

    Cartaz bom decide o que perde. Escolhe uma coisa para ser vista de longe, uma para ser lida de perto, e aceita que o resto é letra miúda que quase ninguém vai ler.

    Hierarquia não é diagramar bonito. É decidir o que você aceita sacrificar.

    Designers avaliam pôsteres marcantes da história do cinema.

    Recorte do TCC em Artes Visuais (FAVENI, 2025) sobre análise visual de cartazes.

  • Ninguém decora um treinamento

    Todo mundo já assistiu a um treinamento obrigatório e não lembrava de nada uma semana depois. Isso não é falta de atenção do público. É formato.

    Slide explica. Slide não muda comportamento. São funções diferentes e o mercado insiste em pedir a segunda pagando pela primeira.

    O que fica é história. A pessoa se reconhece numa situação, ensaia outra resposta e leva aquilo para o trabalho. Sentir, praticar, repetir. Se um dos três falta, o treinamento vira evento.

    Teatro empresarial carrega fama ruim porque muita coisa ruim foi feita com esse nome — piada pronta, SIPAT com humor de auditório, atriz vestida de segurança do trabalho. Mas o mecanismo por baixo é sério: a cena para no momento da decisão e quem assiste escolhe o próximo passo.

    Custa mais do que mandar um PDF. Custa menos do que refazer o mesmo treinamento todo ano porque ninguém mudou nada.

    Teatro empresarial: a cena para e o público decide.

    Anotações de posicionamento do projeto DUSAMP — método sentir, praticar, repetir.

  • O cartaz não é capa

    Cartaz de cinema não é embalagem do filme. É a primeira frase dele.

    A confusão é comum e cara. Muita gente trata o cartaz como uma capa: pega o frame mais bonito, coloca o nome grande em cima, encaixa os créditos embaixo. Isso é diagramação, não é cartaz.

    Cartaz é ferramenta estratégica de marketing, com uma função bem definida — seduzir, gerar expectativa e encher sala. Ele trabalha num contexto brutal: alguém passa por ele em três segundos, muitas vezes sem som, sem contexto e já cansado de imagem.

    Ambrose e Harris, nos fundamentos do design criativo, colocam a coisa de um jeito que resolve a discussão: a mensagem de um cartaz não depende só do conteúdo textual. Depende do arranjo entre os elementos — formato, formas, tipografia, imagem, cor, e a estratégia de organizar tudo isso.

    Ou seja, a promessa não está no que o cartaz diz. Está em como ele está montado.

    Estudei isso com estudantes do Ensino Fundamental II analisando o cartaz de Ainda estou aqui, do Walter Salles, antes de produzirem os próprios. E a descoberta que mais funcionou em sala foi essa: quando você pergunta a uma criança de doze anos o que aquele cartaz promete, ela responde certo. Quando você pergunta por quê, ela precisa olhar de novo.

    É o mesmo exercício que falta em muita reunião de aprovação de peça.

    Pôsteres de filmes e seus significados, no canal Gaveta.

    Trabalho de conclusão de curso em Artes Visuais, Centro Universitário FAVENI, 2025 · AMBROSE; HARRIS. Fundamentos do design criativo, 2009.

  • CORTE! AÇÃO!

    [PLANO GERAL: UM ESCRITÓRIO MODERNO, MAS COM UM AR DE MISTÉRIO. LUZES NEON REFLETEM EM SUPERFÍCIES METÁLICAS.]
    “Marcas sem alma? Apresentações que te fazem querer dormir? Conteúdo que ninguém lembra? ISSO ACABA AGORA!”

    CORTE RÁPIDO PARA/

    CENA 1 – PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
    [CLOSE-UP: DIAGRAMAS E GRÁFICOS PULSAM NA TELA. MÃOS DIGITANDO RAPIDAMENTE.]
    Locução: Pule o blá-blá-blá. Diagnóstico de marca? Use dados de comportamento, não só pesquisas. Mercado? Preveja tendências, não só o que já passou.
    “Roteiros dignos de suspense, onde o herói é a sua marca!”

    CORTE PARA/

    CENA 2 – PRODUÇÃO DE CONTEÚDO
    [MONTAGEM DINÂMICA: VÍDEOS CURTOS, ANIMAÇÕES, POSTS… TUDO COM UM ESTILO VISUAL IMPACTANTE.]
    Locução: Conteúdo é rei, mas a distribuição é a rainha. Não basta criar, tem que hackear o algoritmo! Use storytelling em formatos curtos, virais.
    “Conteúdo que gruda como chiclete e faz seu público implorar por mais!”

    CORTE PARA/

    CENA 3 – APRESENTAÇÕES CORPORATIVAS
    [TELA DIVIDIDA: POWERPOINT E KEYNOTE GANHAM VIDA, COM ANIMAÇÕES E DESIGN INOVADOR.]
    Locução: Transforme dados em drama. Dashboards não precisam ser chatos! Crie histórias visuais que prendem a atenção.
    “Apresentações que fazem plateias se levantarem e aplaudir!”

    CORTE PARA/

    CENA 4 – VIDEOCASES E PRODUÇÃO AUDIOVISUAL
    [IMAGENS EMOCIONAIS: PESSOAS SORRINDO, HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO, MARCAS HUMANIZADAS.]
    Locução: Documentários corporativos? Use a emoção. Conecte-se com seu público através de histórias autênticas e inspiradoras.
    “Videocases que tocam o coração e viralizam nas redes!”

    CORTE PARA/

    CENA 5 – NARRATIVAS CORPORATIVAS
    [CLOSE-UP: UM ROTEIRO CHEIO DE ANOTAÇÕES. VOZ OFF CONTINUA.]
    Locução: Narrativa é poder. Descubra o “porquê” da sua marca e conte histórias que ressoam com seu público.
    “Histórias que transformam marcas em lendas urbanas!”

    CORTE PARA/

    CENA 6 – LANÇAMENTOS E MARKETING DE ENCANTAMENTO
    [IMAGENS DE FESTAS, LANÇAMENTOS, EXPERIÊNCIAS IMERSIVAS. PESSOAS INTERAGINDO COM A MARCA.]
    Locução: Lançamento? Crie um evento. Marketing de encantamento é sobre criar momentos memoráveis, experiências que as pessoas nunca esquecem.
    “Lançamentos que fazem a concorrência tremer na base e seus clientes se apaixonarem!”

    CORTE PARA/

    CENA 7 – CULTURA E EXPERIÊNCIA DA MARCA
    [CENAS DE BASTIDORES, FUNCIONÁRIOS SORRINDO, COLABORAÇÃO. MÚSICA MOTIVACIONAL.]
    Locução: Cultura é o combustível. Transforme seus colaboradores em embaixadores da marca, e a magia acontece.
    “Culturas de marca tão vibrantes que seus colaboradores viram fãs incondicionais!”

    [PLANO GERAL: O ESCRITÓRIO AGORA ILUMINADO, UM SÍMBOLO DE SUCESSO. VOZ OFF FINALIZA.]

    Locução: Quer hackear a comunicação da sua marca e criar um final épico? ME CHAME PARA UM CAFÉ E VAMOS COMEÇAR OS TRABALHOS!”

    [FIM.]

  • Curadoria não é volume

    Todo veículo novo começa querendo publicar muito. Volume vira métrica porque é a única coisa fácil de medir na primeira semana.

    A NOWNESS faz o oposto: publica pouco e escolhe bem. O valor está na seleção, não na quantidade.

    Curadoria é assumir responsabilidade pela escolha. Você diz “isso aqui presta” e responde por isso depois. É um risco pequeno e diário, e é exatamente por isso que quase ninguém topa.

    Agregador automático não faz isso. Ele empurra e sai de perto.

    Num mercado com excesso de oferta, o trabalho escasso não é produzir. É recortar.

    Se o seu diferencial é publicar mais que os outros, você não tem diferencial. Tem custo.

    Do rascunho ao mural: o trabalho que ninguém vê.
  • Formato repetido vira assinatura

    A COLORS filma o artista numa sala de cor sólida. Sempre igual. Virou assinatura. A Boiler Room aponta a câmera para dentro da pista, sem palco. Sempre igual. Virou assinatura.

    A tentação de quem começa é o contrário: cada vídeo com um conceito novo, cada post com um layout novo. O resultado é que nada gruda.

    Formato fixo é barato e é memória ao mesmo tempo. Custa menos produzir porque as decisões já foram tomadas. Custa menos decidir porque o gabarito existe. E o público reconhece antes de ler o título.

    A variedade fica no conteúdo. A embalagem se repete.

    Isso vale para canal, para série interna de empresa, para newsletter e para conteúdo de marca. Vale aqui também: se você reparar, esses textos têm sempre o mesmo tamanho e a mesma estrutura.

    Não é falta de imaginação. É economia de atenção — a minha e a sua.

    Um processo criativo contado do começo ao fim.

    Benchmarking editorial: COLORS, Boiler Room, KEXP.

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