Todo material de divulgação disputa atenção em condições piores do que quem o fez imagina.
O cartaz de cinema é o caso extremo, e por isso é o melhor professor. Ele precisa funcionar de longe, em movimento, sem som, competindo com outros dez cartazes na mesma parede, para uma pessoa que não pediu para vê-lo.
Se ele resolve isso, resolve qualquer coisa.
A lição que sai daí vale para thumbnail, capa de carrossel, primeiro frame de vídeo e slide de abertura. São todos cartazes, com nomes diferentes.
E o erro é sempre o mesmo: colocar informação demais porque tudo parece importante. Nome do filme, subtítulo, elenco, prêmios, data, selo do festival, logo dos patrocinadores. Cada item entra por um motivo legítimo, e o conjunto não comunica nada.
Cartaz bom decide o que perde. Escolhe uma coisa para ser vista de longe, uma para ser lida de perto, e aceita que o resto é letra miúda que quase ninguém vai ler.
Hierarquia não é diagramar bonito. É decidir o que você aceita sacrificar.
Recorte do TCC em Artes Visuais (FAVENI, 2025) sobre análise visual de cartazes.