Temporada 4

Agosto a setembro de 2026. IA no processo, cinema, atenção, disciplina e a pesquisa de mestrado.

  • O aquário é o produto

    O BBB 26 estreou em janeiro com três categorias no mesmo confinamento: Pipocas, Camarotes e Veteranos. Anônimo, celebridade e ex-participante disputando a mesma atenção, no mesmo espaço, com as mesmas câmeras.

    Isso é um laboratório de marca pessoal montado por engano — ou de propósito, o que é ainda mais interessante.

    Porque as três categorias entram com ativos completamente diferentes. O Camarote entra com público pronto e com o risco de decepcionar quem já o conhece. O Veterano entra com repertório de jogo e com o cansaço de quem já foi visto. O Pipoca entra sem nada, o que também significa sem passivo.

    E no fim de algumas semanas o placar embaralha tudo. Gente famosa sai cedo. Anônimo vira fenômeno. O ativo inicial não determinou o resultado — determinou só o ponto de partida.

    Quem trabalha com marca deveria olhar para isso com atenção profissional, não com deboche. É a demonstração mais barata que existe de que reconhecimento prévio não é o mesmo que relevância presente. Uma coisa é ser conhecido. Outra é ser assistido.

    A maioria das marcas brasileiras opera com a lógica do Camarote: acha que o histórico compra a atenção de amanhã. Não compra. Compra três dias de paciência.

    Fantástico, bastidores da seleção de participantes do BBB.

    GSHOW. BBB 26 estreia com Pipocas, Camarotes e Veteranos. 12 jan. 2026.

  • A IA entrega opção. Você entrega corte.

    O mercado parou de discutir se a inteligência artificial existe. Em 2026 o Cannes Lions criou o Creative Brand Lion e abriu uma subcategoria de AI Craft. No mesmo ciclo, a Luma AI montou o Dream Brief, uma competição para transformar ideias publicitárias engavetadas em filmes, com um milhão de dólares para quem levasse um Gold Lion. Chegaram quase quatrocentas inscrições. Vinte e uma foram para o festival.

    A conversa mudou de lugar. Não é mais se você usa. É o que sobra quando todo mundo usa.

    Porque a ferramenta virou commodity rápido demais. Ela gera vinte caminhos em dois minutos. Gera trinta. Gera cem, se você tiver paciência de ficar clicando. E é exatamente aí que a coisa desanda: a geração ficou barata e a escolha continuou cara.

    Escolher é o trabalho. Sempre foi. Antes você tinha três opções porque produzir custava, e a escassez fazia o corte por você. Agora a escassez sumiu e o corte voltou para o seu colo. Quem não sabe cortar não vira mais produtivo com IA. Vira mais confuso, em alta resolução.

    Repare no que o Dream Brief realmente premiou. Não foi a ideia gerada pela máquina. Foi a ideia que já existia, morta numa gaveta, que alguém decidiu que merecia existir. O julgamento veio antes. A máquina só executou.

    Então a pergunta profissional deixou de ser “o que eu consigo fazer?”. Virou “o que eu assino?”. São coisas diferentes. A primeira mede capacidade instalada. A segunda mede critério — e critério é a única coisa que a ferramenta não entrega junto.

    Maximídia: especialistas discutem o uso de IA no mercado de publicidade e marketing.

    CANNES LIONS. Cannes Lions introduces the Creative Brand Lion. 12 nov. 2025. · LUMA AI. Luma Submits 21 AI-Generated Finalists to Cannes Lions. 9 abr. 2026.

  • A pergunta antes do prompt

    Estou pesquisando, no mestrado da ESPM, o uso de inteligência artificial generativa na criação de produtos audiovisuais publicitários. Não é um tema confortável, e é por isso que é um bom tema.

    A pergunta que sustenta a pesquisa não é se a ferramenta funciona. Funciona. É outra: o que acontece com autenticidade, autoria e critério quando a produção de imagem deixa de ser o gargalo.

    Publicidade sempre foi um campo discursivo. Ela produz e faz circular valores, representações e ideologias — vendendo produto, vendendo serviço, vendendo causa. Quando a máquina entra nessa cadeia, ela não entra só como equipamento. Entra na etapa em que as escolhas são feitas.

    E aí abre uma bifurcação interessante, que a discussão pública costuma achatar em otimismo ou pânico.

    De um lado, a IA amplia a possibilidade de produção colaborativa. Projeto social, causa pequena, campanha sem verba — coisas que morriam por custo de produção agora conseguem existir em alguma forma. Isso é democratização real, não retórica.

    Do outro, existem questões que ninguém resolveu: autenticidade da criação, dinâmica de produção da campanha, experiência estética na era digital, e os dilemas éticos de autoria e direitos autorais.

    Vou publicar aqui os recortes dessa pesquisa conforme eles ficarem prontos. Não como resumo acadêmico, que ninguém lê, mas como o que interessa a quem trabalha: o que muda na rotina, no contrato e na decisão.

    Debate sobre inteligência artificial na publicidade.

    Pesquisa de mestrado em Comunicação e Consumo, ESPM. Palavras-chave: comunicação e consumo; audiovisual; publicidade; inteligência artificial.

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