Temporada 3

Fevereiro a agosto de 2026. Editais, pipeline e o preço da hora.

  • Autoridade vence perseguição

    Existem duas formas de influenciar uma decisão sobre você: ser lembrado ou ser insistente.

    A segunda funciona um pouco no curto prazo e cobra caro depois. Mensagem repetida, contato em três canais, tentativa de falar com alguém acima de quem está conduzindo. Tudo isso comunica uma coisa só, e não é interesse.

    Autoridade é chata de construir porque é lenta: portfólio organizado, opinião pública sobre um problema real, um caso bem contado, relação que existia antes de você precisar dela.

    A régua que eu uso: quero que descubram que sou bom. Não que percebam o quanto estou tentando ser descoberto.

    Vale para venda, para proposta e para processo seletivo. Especialmente para processo seletivo, onde a diferença entre as duas leituras costuma ser um único e-mail enviado no dia errado.

    Negócios e empreendedorismo: construir antes de pedir.
  • Marca pessoal é o que dizem quando você sai da sala

    Marca pessoal virou sinônimo de se exibir. Não é isso.

    É a frase que sobra quando alguém te descreve para outra pessoa em dez segundos, numa conversa que você não escuta.

    Você não controla essa frase. Influencia: pela consistência do que entrega, pelo tipo de problema que resolve e — principalmente — pelo que recusa.

    Recusar é a parte que quase ninguém faz. Quem aceita tudo não é descrito por nada. Vira “aquele cara que topa”.

    Não é sobre postar mais. É sobre ser previsível no que importa: o que você faz bem, o que você não faz, e o padrão que você não abaixa.

    Marketing pessoal sem virar autopromoção.
  • Piso não é preço

    Piso existe para impedir que te paguem menos. Ele não foi feito para dizer quanto você vale.

    Parece óbvio escrito assim. Na prática quase todo profissional de área criativa usa o piso como âncora — e âncora baixa puxa tudo para baixo.

    No ensino privado a convenção coletiva de 2026 traz reajuste de 3,45% a partir de julho, define composição salarial em aulas semanais multiplicadas por 4,5, mais DSR e mais 5% de hora-atividade. Tem até a duração da hora-aula: máximo de cinquenta minutos, com exceção para cursos tecnológicos autorizados.

    Esses números são úteis por um motivo específico: eles te dizem o que a instituição já está obrigada a pagar. Ou seja, te dizem onde a conversa começa — não onde ela termina.

    Quem chega numa negociação sabendo a convenção de cor negocia diferente de quem chega perguntando quanto eles costumam pagar. A primeira pergunta é de quem conhece o setor. A segunda é de quem está pedindo.

    Isso vale além da docência. Em audiovisual não existe convenção com essa clareza, e por isso o efeito é pior: sem piso, cada um inventa o próprio e quase sempre inventa para baixo, com medo de perder o trabalho.

    Levante o número antes da reunião. Não para brigar. Para saber de onde você está falando.

    Guia sobre as seleções do Centro Paula Souza.

    Convenção Coletiva de Trabalho do ensino superior privado, 2026 — reajuste de 3,45% a partir de 01/07/2026; piso por hora-aula na educação básica privada, vigência 01/03/2026 a 28/02/2027.

  • Repertório sem virar catálogo

    Quem faz muita coisa tem um problema de comunicação específico: parecer que faz de tudo.

    “Faz de tudo” é o que se diz de quem não é escolhido para nada. É elogio na conversa e desconto na proposta.

    Organizar por territórios resolve boa parte. Poucos territórios, formatos dentro deles, cada formato com um uso claro e uma frase explicando quando ele é a resposta certa.

    O cliente não precisa ver trinta formatos. Precisa achar o dele em menos de um minuto e entender por que aquele e não outro.

    A diferença entre repertório e catálogo é hierarquia. Catálogo lista. Repertório ordena e assume uma opinião sobre o que serve para quê.

    Plano de marketing: organizar a oferta antes de anunciá-la.
  • O que você vende não é o que você entrega

    A Duarte não vende slide. Vende o momento em que a estratégia ganha forma, voz e direção. O entregável continua sendo uma apresentação.

    Ninguém compra um vídeo. Compra alinhamento, venda, memória, orgulho de equipe, contratação mais fácil, cliente entendendo o produto na primeira explicação.

    Quem vende entregável compete por preço unitário: quanto custa o minuto, quanto custa a diária, quanto custa a peça. Quem vende resultado compete por confiança.

    Isso não é retórica de apresentação. Muda a proposta, muda quem senta na reunião do lado do cliente e muda o momento em que você é chamado — antes ou depois da decisão já tomada.

    Ser chamado depois da decisão é o que transforma qualquer profissional bom em fornecedor de execução.

    Marca é o que a pessoa entende, não o que você diz.
  • Duas ordens de grandeza

    Uma hora de aula técnica em rede pública paulista paga R$ 22,47. Uma palestra corporativa de uma hora, para quem tem material pronto, fica entre R$ 3 mil e R$ 8 mil.

    São duas ordens de grandeza pelo mesmo conteúdo, dito pela mesma pessoa, no mesmo dia.

    A explicação não é injustiça, é estrutura. Aula é serviço contínuo, precificado por hora, com vínculo, escala e teto definido em lei. Palestra é evento, precificado por entrega, sem vínculo, com risco todo do lado de quem contrata a data.

    Mas a diferença tem uma consequência prática que quase ninguém tira: o material que você prepara para uma aula é o mesmo ativo que sustenta a palestra. Você já fez o trabalho. O que muda é a embalagem e o canal.

    Quem dá aula há anos costuma ter dez palestras dentro do computador e nunca formatou nenhuma. Não por falta de conteúdo — por não ter percebido que aquilo já é um produto, só que precificado no canal errado.

    Não estou dizendo para largar a sala de aula. Estou dizendo para parar de tratar o repertório como se ele só existisse dentro dela.

    O mesmo raciocínio vale para audiovisual: quem edita há dez anos tem um curso pronto e não sabe.

    Quanto ganha um professor no Brasil, e como o salário é composto.

    Comparação entre hora-aula do Centro Paula Souza (LC SP 1.425/2025) e faixa de mercado para palestra corporativa.

  • Benchmark não é para copiar

    Olhar o concorrente para imitar é o pior uso possível de benchmark. Gera uma cópia atrasada de uma decisão que você não entendeu.

    O uso certo é outro: entender o que cada um vende de verdade, por baixo do que anuncia. Quase nunca é a mesma coisa.

    Segundo uso: mapear o espaço que ninguém está ocupando e decidir, com honestidade, se aquilo é uma oportunidade ou uma armadilha que os outros já testaram e abandonaram.

    Terceiro: roubar o mecanismo, não a estética. A estética envelhece em um ano. O mecanismo — como a empresa faz a pessoa voltar, como transforma um formato em hábito — dura muito mais.

    Passei dias montando um quadro comparativo desses. A parte útil não foram as conclusões sobre os outros. Foi perceber o que eu estava chamando de diferencial e era só o padrão do setor.

    Posicionamento explicado sem jargão.
  • Retrabalho tem dono

    Toda operação tem retrabalho. A pergunta não é se existe, é se alguém mede.

    Quando não é medido, ele aparece na reunião disfarçado de outra coisa: “a equipe está lenta”, “a pós não rende”, “esse editor não é bom”.

    Duas rodadas de revisão previstas, contadas e registradas — o que mudou e por quê. Sem isso, ninguém sabe se o projeto teve duas ou nove.

    A terceira rodada não é proibida. Ela tem preço, e o preço é conhecido desde o começo.

    E vale dizer com educação: a maioria das terceiras rodadas nasce de briefing ruim, não de execução ruim. Quando isso fica registrado, o briefing do projeto seguinte melhora sozinho.

    Quanto custa uma edição — e quanto custa refazê-la.
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