Fui para a licenciatura depois de anos dirigindo. Achei que ia ensinar o que já sabia.
O que aconteceu foi outra coisa.
Projeto de intervenção pedagógica tem uma exigência que produção audiovisual não tem: você precisa declarar antes o que espera que aconteça, e depois registrar o que aconteceu de fato. Não é relatório de entrega. É comparação entre previsão e resultado.
No mercado, isso quase não existe. A gente entrega o filme, o cliente aprova, todo mundo comemora e ninguém volta para perguntar se o que a gente esperava que acontecesse aconteceu. O projeto termina no aceite, não no efeito.
Em sala, o efeito é visível na hora. Você propõe um exercício e vê, em quarenta minutos, se a turma entendeu. Não dá para se enganar — e não dá para culpar o algoritmo, o cliente ou a verba.
Isso me tornou melhor no trabalho de fora da sala, e não o contrário. Passei a escrever briefing pensando no que quero que aconteça na cabeça de quem assiste, não no que quero mostrar.
Quem já é sênior costuma ver docência como algo para depois. Vale considerar o inverso: ela é o lugar onde o próprio método é auditado por quarenta pessoas que não têm nenhum motivo para ser educadas com você.
Prática Profissional, Licenciatura em Artes Visuais, Centro Universitário FAVENI, 2025.
