A frase que fecha a pesquisa é essa: a máquina assume a execução, e ao humano resta o que lhe é mais intrínseco — a capacidade de dar sentido, ter intenção e contar histórias que conectam.
Eu tenho uma implicância com esse tipo de frase, então vale explicar por que ela não é consolo.
Dar sentido é uma operação concreta, não uma qualidade mística. Significa escolher o que importa dentro de um material que não importa em si. Significa decidir o que fica de fora. Significa assumir uma leitura do mundo e defendê-la quando o cliente discorda.
Nada disso é sensibilidade. É posição.
E é por isso que a máquina não faz: não porque falte alma, mas porque ela não tem nada em jogo. Não perde cliente, não perde emprego, não fica com vergonha do trabalho ruim daqui a cinco anos. Sem consequência, não há critério — há só distribuição de probabilidade.
Quem trabalha com narrativa sempre soube disso, mas nunca precisou dizer em voz alta. Agora precisa, porque virou o argumento comercial.
A pergunta que eu faria numa entrevista de emprego hoje não é qual ferramenta você usa. É: me conta uma decisão difícil que você tomou num projeto, e por quê.
Dissertação (PPGCOM ESPM), considerações finais.