Num dos meus projetos de edital existe um parágrafo que quase ninguém escreveria. Ele diz, em letras maiúsculas, que na edição anterior a nota de corte foi 9,17 e que quase todos os vencedores tinham três ou mais edições realizadas, o que dá bônus de meio ponto — e que este projeto, sendo primeira edição, concorre em desvantagem.
Isso não está no projeto que vai para a banca. Está no documento interno.
E é o documento mais útil da pasta.
Porque a maior perda de tempo em captação não é escrever mal. É escrever bem para o edital errado. Projeto de primeira edição disputando com veteranos numa faixa em que o histórico vale meio ponto perde antes de começar, por mais bonito que esteja.
Saber disso muda a decisão, não o texto. Você escolhe outro edital, ou aceita concorrer sabendo que é investimento de longo prazo — porque a inscrição de hoje é o histórico que pontua no ano que vem.
O que eu não faço é fingir para mim mesmo que a chance é maior do que é.
Otimismo em planilha de captação custa meses. Se o seu material de projeto não tem um lugar onde você escreve a verdade desconfortável, você está usando o mesmo tom para vender e para decidir — e essas duas coisas precisam de tons diferentes.
Análise de concorrência do FomentoCultSP ProAC — nota de corte 9,17 na edição anterior; bônus de pontuação para proponentes com edições anteriores realizadas.