Editais pedem metas e indicadores. A maioria dos projetos entrega intenções com cara de meta.
“Ampliar o acesso da população à produção audiovisual local.” Isso é um desejo. Não tem número, não tem prazo, e ninguém consegue dizer, no fim, se aconteceu.
Meta verificável é outra coisa: quantas sessões, em quantos bairros, para quantas pessoas, com que forma de contagem. Feio de escrever, fácil de auditar.
A resistência a isso costuma vir de um lugar legítimo — medo de se comprometer com número que talvez não bata. Só que a banca lê essa ausência ao contrário. Ela lê como quem nunca fez, porque quem já executou sabe estimar.
O detalhe que quase ninguém coloca é o método de aferição. Não basta prometer quinhentos espectadores; é preciso dizer como você vai contar quinhentos espectadores. Lista de presença, contagem na portaria, relatório do espaço. Isso vale ponto e evita problema na prestação de contas.
E tem a parte que dói: meta ambiciosa demais é tão ruim quanto meta vaga. Prometer trinta sessões com equipe de três pessoas e cinco meses de execução mostra que a conta não foi feita.
Meta boa é a que você assinaria sabendo que alguém vai conferir.
Critério de objetivos mensuráveis nos editais de fomento (ProAC, Rouanet, FomentoCultSP).