A Organização Mundial da Saúde classifica burnout como fenômeno ocupacional ligado ao estresse crônico de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. Aparece com três sinais: exaustão, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho, e redução da eficácia profissional.
Leia de novo a parte que quase todo mundo ignora: ocupacional.
Não é um traço de personalidade. Não é fraqueza. Não é falta de resiliência, palavra que virou sinônimo corporativo de “aguente calado”. É uma resposta a uma condição de trabalho que não foi gerenciada. O sujeito da frase é a organização, não a pessoa.
Isso muda quem tem que agir. Se burnout fosse característica individual, a solução seria terapia, meditação e sexta-feira sem reunião. Sendo ocupacional, a solução envolve carga, prazo, previsibilidade, clareza de escopo e número de pessoas para o volume que existe.
No audiovisual isso é particularmente cínico, porque o setor romantiza a exaustão. Virar a noite virou credencial. Diária de quatorze horas virou anedota de bastidor. A pessoa que reclama vira a pessoa difícil de trabalhar.
O terceiro sinal é o que aparece primeiro para quem lidera: redução da eficácia. Antes de alguém pedir demissão, o trabalho já ficou pior. Se você é gestor e está vendo qualidade cair num time que era bom, o problema provavelmente não é o time.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Burn-out an “occupational phenomenon”. Classificação Internacional de Doenças (CID-11).