Temporada 2

Setembro a dezembro de 2025. Cartaz, co-criação, projeto cultural e sala de aula.

  • Ninguém decora um treinamento

    Todo mundo já assistiu a um treinamento obrigatório e não lembrava de nada uma semana depois. Isso não é falta de atenção do público. É formato.

    Slide explica. Slide não muda comportamento. São funções diferentes e o mercado insiste em pedir a segunda pagando pela primeira.

    O que fica é história. A pessoa se reconhece numa situação, ensaia outra resposta e leva aquilo para o trabalho. Sentir, praticar, repetir. Se um dos três falta, o treinamento vira evento.

    Teatro empresarial carrega fama ruim porque muita coisa ruim foi feita com esse nome — piada pronta, SIPAT com humor de auditório, atriz vestida de segurança do trabalho. Mas o mecanismo por baixo é sério: a cena para no momento da decisão e quem assiste escolhe o próximo passo.

    Custa mais do que mandar um PDF. Custa menos do que refazer o mesmo treinamento todo ano porque ninguém mudou nada.

    Teatro empresarial: a cena para e o público decide.

    Anotações de posicionamento do projeto DUSAMP — método sentir, praticar, repetir.

  • O cartaz não é capa

    Cartaz de cinema não é embalagem do filme. É a primeira frase dele.

    A confusão é comum e cara. Muita gente trata o cartaz como uma capa: pega o frame mais bonito, coloca o nome grande em cima, encaixa os créditos embaixo. Isso é diagramação, não é cartaz.

    Cartaz é ferramenta estratégica de marketing, com uma função bem definida — seduzir, gerar expectativa e encher sala. Ele trabalha num contexto brutal: alguém passa por ele em três segundos, muitas vezes sem som, sem contexto e já cansado de imagem.

    Ambrose e Harris, nos fundamentos do design criativo, colocam a coisa de um jeito que resolve a discussão: a mensagem de um cartaz não depende só do conteúdo textual. Depende do arranjo entre os elementos — formato, formas, tipografia, imagem, cor, e a estratégia de organizar tudo isso.

    Ou seja, a promessa não está no que o cartaz diz. Está em como ele está montado.

    Estudei isso com estudantes do Ensino Fundamental II analisando o cartaz de Ainda estou aqui, do Walter Salles, antes de produzirem os próprios. E a descoberta que mais funcionou em sala foi essa: quando você pergunta a uma criança de doze anos o que aquele cartaz promete, ela responde certo. Quando você pergunta por quê, ela precisa olhar de novo.

    É o mesmo exercício que falta em muita reunião de aprovação de peça.

    Pôsteres de filmes e seus significados, no canal Gaveta.

    Trabalho de conclusão de curso em Artes Visuais, Centro Universitário FAVENI, 2025 · AMBROSE; HARRIS. Fundamentos do design criativo, 2009.

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