Ensinar é afiar. Quem não consegue explicar ainda está escondido atrás da própria confusão.
Isso vale para o profissional sênior de um jeito específico e desconfortável. Você passa anos acumulando repertório, e boa parte desse repertório vira intuição — você sabe que aquele plano não funciona, sabe que aquele cronograma não fecha, sabe que aquele cliente vai voltar atrás. Sabe, mas não consegue dizer por quê.
Intuição é ótima para decidir e péssima para liderar. Ninguém aprende com “confia”.
Quando você é obrigado a ensinar, a intuição precisa virar frase. E na hora de virar frase aparecem os buracos: a parte que você achava que sabia e só repetia, o critério que você usava e nunca examinou, a regra que era verdade em 2014 e ninguém atualizou.
Por isso quem ensina melhora mais rápido que quem só executa. Não por generosidade. Por atrito.
Se você lidera um time e nunca precisou explicar seu próprio método em voz alta, tem uma boa chance de que ele não exista como método. Existe como hábito — que é outra coisa, e não se transfere.


