No Sundance de 2026 a Adobe levou dois curtas, Wink e MythOS, como estudo de fluxo híbrido. A equipe usou Firefly Boards, Photoshop, Premiere, After Effects e modelos parceiros para moodboard, storyboard e partes da imagem final. Não é manifesto. É documentação de processo.
E o que a documentação mostra é que a parte difícil não mudou de lugar.
A IA pode gerar cena bonita. Pode criar atmosfera. Pode sugerir luz, simular mundo, propor enquadramento. Ela não sabe por que aquele mundo precisa existir. Quem sabe é a direção. Ou deveria saber.
Cinema nunca foi sobre ter imagem. Foi sobre escolher qual imagem, em que ordem, por quanto tempo, e o que fica de fora. Corte é decisão. Duração é decisão. O que você não mostra é decisão — e costuma ser a mais importante.
O perigo real não é a máquina fazer imagem. É o humano achar que imagem bonita já é cinema. Esse erro não é novo, aliás. Ele existia com câmera cara, com drone, com lente vintage, com correção de cor caprichada. A ferramenta só tornou o erro mais barato e mais rápido de cometer.
Quando a imagem custa quase nada, o que separa diretor de operador fica exposto. E fica exposto na frente do cliente.
ADOBE. Sundance Film Festival 2026 — curtas Wink e MythOS, estudos de fluxo híbrido entre cinema tradicional e IA generativa.