A pesquisa apontou o surgimento de uma figura profissional que ainda não tem cargo no organograma: o criativo-curador.
É quem domina duas coisas ao mesmo tempo — a poética do prompt e a arte da escolha.
A primeira é a capacidade de pedir bem: enunciar intenção, contexto e restrição de um jeito que a máquina consiga trabalhar. A segunda é mais antiga e mais rara: olhar cinquenta resultados e saber qual serve, e por quê.
Repare que só a segunda é escassa. Prompt se aprende em algumas semanas de prática. Critério leva anos e não tem atalho, porque depende de repertório acumulado e de ter errado bastante em público.
Isso reposiciona quem já tem carreira. O profissional com quinze anos de mercado costuma achar que está atrasado porque não domina a ferramenta nova. Está olhando para a metade fácil da equação.
E reposiciona quem está entrando. Quem aprendeu a operar bem e nunca construiu repertório vai render muito no primeiro ano e travar no terceiro, quando o trabalho deixar de ser executar e passar a ser escolher.
Curadoria não é uma habilidade acessória que se soma ao ofício. Numa cadeia em que gerar ficou barato, ela virou o ofício.
Dissertação (PPGCOM ESPM), considerações finais · CINTRA, 2024 — “poética do prompt” e “arte da escolha”.