O Brasil consome obra pronta e quase nunca vê o processo. O clipe aparece, a campanha aparece, o filme aparece. O que aconteceu antes some.
Isso não é um detalhe romântico. Some junto a informação mais útil que existe para quem quer trabalhar com isso: como a decisão foi tomada.
Um making of decente não é bastidor divertido com gente rindo atrás da câmera. É o registro das escolhas. O que foi cortado. O que não coube no orçamento. O que mudou depois do primeiro corte e por quê.
Quando o processo fica escondido, o mercado inteiro fica mais caro. Cada geração reaprende do zero coisas que já eram sabidas há vinte anos.
Não estou defendendo transparência total. Existe cliente, existe acordo de confidencialidade, existe coisa que não se conta. Mas entre o sigilo necessário e o silêncio absoluto há um espaço enorme, e quase ninguém ocupa.
Escrevo aqui em parte por isso.
Nota de planejamento editorial do projeto Acorda Mídia — portal sobre cultura em processo.