Do fluxo em cascata para o fluxo conversacional

O achado central da pesquisa cabe em uma frase: o fluxo de trabalho criativo deixou de ser linear e em cascata e passou a ser conversacional e híbrido. Cascata é o modelo…

O achado central da pesquisa cabe em uma frase: o fluxo de trabalho criativo deixou de ser linear e em cascata e passou a ser conversacional e híbrido.

Cascata é o modelo que todo mundo aprendeu. Briefing desce para o planejamento, planejamento desce para a criação, criação desce para a produção, produção desce para a pós. Cada etapa entrega para a seguinte e sai de cena.

Conversacional é outra coisa: as etapas passam a se responder. A produção informa a criação antes de a criação terminar. A pós devolve uma pergunta que muda o roteiro. O briefing é reescrito porque um teste rápido mostrou que a premissa estava errada.

Não foi a inteligência artificial que inventou isso. Equipe boa sempre conversou fora da ordem oficial. O que mudou é que agora dá para testar a resposta em minutos, e o que era conversa vira evidência.

A consequência ruim é que o modelo em cascata era também um modelo de responsabilidade. Cada fase tinha dono. Quando tudo conversa com tudo, some a fronteira do erro — e ninguém sabe em que etapa a decisão ruim entrou.

Por isso a resposta não é abolir o processo. É trocar o controle por etapa pelo controle por decisão registrada: o que foi decidido, por quem, com base em quê.

Quem coordena produção vai passar os próximos anos aprendendo a fazer isso.

O processo criativo na publicidade, com Leopitapos Barcellos.

Achado central da dissertação (PPGCOM ESPM): transição de um modelo linear e em cascata para um modelo conversacional e híbrido.