Todo projeto cultural que eu escrevo começa por uma seção chamada a tese, em uma frase.
Não é enfeite. É teste.
Se você não consegue dizer o que o filme defende em uma frase, o projeto não está pronto para ser escrito — está pronto para continuar sendo discutido. E projeto que entra em edital sem tese vira sinopse bonita com objetivos genéricos, que é exatamente o material que a banca lê cem vezes por semana.
A frase precisa afirmar alguma coisa. “Um documentário sobre inteligência artificial” não é tese, é assunto. “O algoritmo organiza o que a gente vê sem nunca saber quem a gente é” é tese: dá para concordar ou discordar dela.
Escrever essa frase costuma doer, porque ela expõe que o projeto ainda não decidiu o que pensa. Melhor doer no documento do que doer na montagem, dois anos depois, quando o material não converge para lugar nenhum.
Tem um efeito colateral prático: a tese também resolve o pitch. Você para de explicar o filme por dez minutos e passa a dizer uma frase e esperar a reação.
Se a pessoa fizer uma pergunta, funcionou. Se ela disser “legal”, não funcionou.
Estrutura de projeto para ProAC ICMS e Rouanet — seção obrigatória de tese e memorial descritivo.