O LinkedIn como campo de pesquisa

Quando eu comecei a pesquisa, quase não havia literatura acadêmica sobre uso de IA generativa em criação publicitária. O fenômeno era novo demais para ter passado por revisão por pares. Mas havia…

Quando eu comecei a pesquisa, quase não havia literatura acadêmica sobre uso de IA generativa em criação publicitária. O fenômeno era novo demais para ter passado por revisão por pares.

Mas havia debate. Muito debate. Em fóruns profissionais, sobretudo no LinkedIn.

Isso cria um problema metodológico honesto: post de LinkedIn não é dado científico. Tem viés de autopromoção, tem gente performando domínio de ferramenta, tem quem exagera resultado para conseguir cliente.

E cria também uma oportunidade. Porque é ali que os profissionais estão equacionando empiricamente, em tempo real, como estão integrando a tecnologia. É registro de prática, não de teoria.

A saída foi tratar esse material pelo que ele é: corpus de discurso profissional, com todos os vieses declarados. Não serve para provar que a IA funciona. Serve para mapear como a categoria está falando sobre o próprio trabalho — o que já é um dado.

Vale um alerta para quem lê pesquisa e para quem escreve: quando o campo é novo, a alternativa a fonte imperfeita não é fonte perfeita. É nenhuma fonte.

Melhor uma leitura cuidadosa de material enviesado, com o viés nomeado, do que esperar cinco anos pela literatura que ainda não existe.

Debate sobre inteligência artificial na publicidade.

Recorte do Estado da Arte (ESPM, 2023) sobre adaptação de profissionais de criação à IA.