Todo mundo capricha na ideia. Quase ninguém capricha no orçamento. E é no orçamento que a reprovação acontece.
O critério tem nome burocrático — viabilidade orçamentária — e uma pergunta simples por trás: esse dinheiro faz esse projeto existir, do jeito que está descrito?
O parecerista não precisa saber quanto custa uma diária de direção. Ele precisa ver se o que o projeto promete aparece na planilha. Se o texto fala em quatro semanas de captação e a planilha tem doze diárias, alguém não fez a conta. Se o texto promete três cidades e não há rubrica de deslocamento, o projeto se contradiz sozinho.
É por isso que orçamento em rubrica funciona melhor que orçamento em bloco. Rubrica obriga você a nomear cada coisa, e nomear cada coisa revela o que ficou de fora.
O erro mais comum não é pedir demais. É pedir de menos para parecer eficiente. Projeto subdimensionado é reprovado com a mesma facilidade do inflado, porque a banca lê subdimensionamento como desconhecimento do próprio ofício.
Escreva o orçamento antes de terminar o projeto. Ele vai te obrigar a decidir coisas que o texto deixava vagas — e é exatamente essa a função dele.
Critério de viabilidade orçamentária nos editais de fomento — o item de maior índice de reprovação técnica.