Acabou o monopólio de atenção da Globo

Só que monopólio de atenção não é a mesma coisa que capacidade de produzir atenção. E é aí que muita gente pode estar confundindo perda de exclusividade com perda de poder. A…

Só que monopólio de atenção não é a mesma coisa que capacidade de produzir atenção. E é aí que muita gente pode estar confundindo perda de exclusividade com perda de poder.

A Globo não controla mais sozinha a bola. Mas continua sendo uma das poucas empresas brasileiras capazes de construir o campeonato inteiro.

A queda de audiência na Copa não significa necessariamente que a Globo ficou pequena. Significa que o campo ficou maior. Durante décadas, a empresa jogou praticamente sozinha. Hoje precisa disputar cada minuto com a televisão aberta, o streaming, as redes sociais, o celular e o criador que transmite de um estúdio com linguagem de arquibancada.

Isso produz calor. E uma verdadeira fábrica de conteúdo não sente calor apenas para sobreviver. Sente calor para voltar a inventar.

O desenho da grade

Uma novela popular segura o público até janeiro. Uma franquia histórica assume o horário nobre. O maior reality do país entra logo atrás. Dramaturgia gera conversa. Reality prolonga a conversa. Jornalismo repercute a conversa. Variedades reciclam a conversa. O streaming estende a conversa. As redes distribuem a conversa.

Isso é grade, mas também é arquitetura de atenção.

O que os concorrentes entenderam

A CazéTV entendeu comunidade. O SBT entendeu oportunidade. Os criadores entenderam proximidade. A Globo precisa reconhecer tudo isso — e provavelmente reconhece.

Tem gente que grita o gol e tem gente que cria o campeonato.